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Segunda, 06 Dezembro 2021 23:17

O direito de decidir

(Escolhe a vida, para que vivas – Dt 30,19)

cobraQuem ofereceu por primeiro à mulher o direito de “decidir” não foram as feministas; foi Satanás. Naquele paraíso ela e seu marido tinham plena liberdade. Mas não podiam chamar o mal de bem nem chamar o bem de mal[1]. Bem e mal eram dados objetivos, que teriam que respeitar. Deveriam necessariamente praticar o bem e evitar o mal.

 


 

Panfleto feministaA serpente ofereceu à mulher uma autonomia (falsa) de “ser como Deus” (Gn 3,5), decidindo por si mesma o que é o bem e o mal, sem seguir os ditames do Criador. Esse direito de “decidir” ela obteria comendo do fruto de uma árvore chamada “do conhecimento do bem e do mal”, o único que Deus havia proibido comer. O resultado dessa desobediência foi a vergonha e a morte.

 


 

 AnunciacaoPBUma virgem chamada Maria, da cidade de Nazaré, recebeu do anjo Gabriel a notícia de que conceberia e daria à luz um filho, o “Filho do Altíssimo” (Lc 1,32), “Filho de Deus” (Lc 1,35). A única interrogação dela foi quanto à sua virgindade: “Como é que vai ser isso se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34). Esclarecido que ela conceberia pelo poder do Espírito Santo, Maria disse: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Essa obediência trouxe-nos a Salvação e a Vida.

 


 

 Obedecer: nossa única decisão

Cristo, ao entrar no mundo, afirmou: “Eis-me aqui – no rolo do livro está escrito a meu respeito – eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7).

Obedecer ao Pai era o alimento de Jesus: “Tenho para comer um alimento que não conheceis... Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra” (Jo 4,32.34).

No discurso da sinagoga de Cafarnaum, ele afirma: “Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6,38).

Essa contínua obediência ao Pai faz com que Jesus permaneça no seu amor: “Se observais meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu guardei os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15,10). Em seguida, ele aponta a alegria como fruto dessa obediência:

Eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” (Jo 15,11).

No dia do Batismo, tomamos, por nós mesmos ou por outros, a nossa decisão fundamental e definitiva: renunciar a Satanás, a todas as suas obras, a todas as suas seduções, tomar a própria cruz e seguir a Jesus (Mt 16,24).

Maria Santíssima, feliz por ter gerado e amamentado o Senhor (Lc 11,27), é mais feliz por ter ouvido e observado a palavra de Deus (Lc 11,28).

A obediência a Deus é fonte de uma contínua alegria, que os desobedientes desconhecem.

 


 

 A dura escravidão à vontade própria

Jesus, “obediente até a morte” (Fl 2,8), é livre e veio libertar-nos: “Se o Filho vos libertar, sereis realmente livres” (Jo 8,36). Ele nos convida a entrar “na liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8,21).

A perfeita fidelidade às promessas do Batismo – e, por conseguinte, a perfeita liberdade – é, porém, algo a ser conquistado. Vejamos este trecho do Diário da Irmã Faustina Kowalska:

Faustina KowalskaEm determinado momento pediram-me orações por certa alma. Resolvi fazer logo uma novena à misericórdia do Senhor e a essa novena ajuntei uma mortificação, isto é, usar a correntinha em ambos os pés durante a Santa Missa. Já me exercitei por três dias nessa mortificação; quando fui me confessar e disse ao diretor espiritual que com permissão presumida empreendi essa mortificação, pensei que o diretor espiritual não teria nada contra isso, e, no entanto, ouvi o contrário, isto é, que sem permissão nada fizesse sozinha. Ó meu Jesus, novamente a arbitrariedade, mas não desanimo com minhas quedas, sei bem que sou miserável. Por razões de saúde não recebi a autorização, e admirou-se o diretor espiritual como eu podia, sem sua permissão, exercitar-me em mortificações maiores. Pedi perdão pela minha arbitrariedade, ou antes por me guiar por permissões presumidas, e pedi que trocasse por outra. O diretor espiritual trocou por uma mortificação interior, isto é, que durante toda a Santa Missa eu deveria refletir por que Nosso Senhor recebeu o batismo. Essa meditação não era uma mortificação para mim, pois pensar em Deus é um deleite e não mortificação, mas havia aí a mortificação da vontade, por estar fazendo não o que é do meu agrado, mas o que me foi mandado, e nisso consiste a mortificação interior. Quando me afastei do confessionário e comecei a cumprir a penitência, ouvi estas palavras: Concedi a graça àquela alma pela qual me pediste, mas não pela tua mortificação, que tu mesma escolheste, mas apenas pelo ato de obediência total diante do meu Representante dei a graça a essa alma pela qual me pediste e para a qual suplicaste misericórdia. Sabe que, quando mortificas em ti a vontade própria, então a Minha vontade reina em ti (Diário, n. 364-365).

Durante um retiro de oito dias, após uma conferência, Santa Faustina ouviu estas palavras:

Eu estou contigo. Neste retiro confirmar-te-ei na paz e na coragem, para que não te faltem forças para cumprir os Meus planos. Por isso, nesse retiro riscarás por completo sua vontade própria, e em compensação cumprir-se-á em ti toda a Minha vontade. Sabe que isso te custará muito, por isso escreve numa folha em branco estas palavras: “A partir de hoje não existe em mim vontade própria” e risca-a; e no outro lado escreve estas palavras: “A partir de hoje cumprirei a vontade divina em toda parte, sempre em tudo”. Não te assustes com nada, o amor te dará forças e facilitará o cumprimento (Diário n. 372).

Assim fez a santa, que deixou anotada esta observação:

“No momento em que me ajoelhei para riscar a vontade própria, como o Senhor me mandou, ouvi na alma esta voz: A partir de hoje não tenhas medo do juízo de Deus, porque não serás julgada” (Diário n. 374).

 


 

 Comigo ou contra mim

Quem não está a meu favor está contra mim, e quem não ajunta comigo dispersa” (Lc 11,23). A mulher grávida que “decidiu” praticar um aborto, o homem casado que “decidiu” divorciar-se para tentar uma nova aventura, o padre que “decidiu” abandonar o sacerdócio para viver como leigo, todos estes nada mais são do que desertores do compromisso assumido com Cristo.

Após o Batismo, e mais ainda após a Confirmação, o Matrimônio, a Ordem ou a profissão religiosa, todas a decisões devem orientar-se para o cumprimento da Vontade Divina em nós. Nosso parecer deve, sempre que possível, submeter-se ao de um superior (de preferência um diretor espiritual) para termos a garantia de estarmos fazendo a vontade de Deus. O batizado não tem mais o direito de escravizar-se à própria vontade.

 


 

 O direito de obedecer

Columba MarmionDom Columba Marmion (1858-1923), monge beneditino beatificado no ano 2000 pelo papa São João Paulo II, dá de si mesmo este testemunho:

Antes de ser monge, não podia fazer aos olhos do mundo melhor coisa do que aquilo que (como sacerdote diocesano) já fiz. Era professor, tinha o que se chama uma boa posição, sucesso e muitos amigos que me apreciavam. Tinha mesmo tudo para me fazer santo. Mas faltava-me uma grande graça: a de poder sempre obedecer. Então refleti e rezei, e DEUS me fez ver a beleza e a grandeza da obediência. A obediência é a única garantia para ter a certeza de cumprir sempre a vontade de DEUS. Por isso deixei a minha pátria (Irlanda), distanciei-me da minha liberdade e de todo o resto, para me fazer monge[2].

Ter um superior a quem obedecer, ter um diretor espiritual com quem se aconselhar, viver sempre sob a tutela de alguém que representa Deus, eis um tesouro escondido, encontrado por poucos, fonte de grande paz e alegria.

 


 

 A escravidão por amor

A renúncia à vontade própria e a entrega total de si mesmo a Jesus Cristo pelas mãos de Maria é a essência da devoção mariana ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort.

S Joao PauloII2São João Paulo II explica como essa “escravidão por amor” não contradiz, mas consolida a liberdade de filhos de Deus:

A escravidão de amor deve ser interpretada à luz do admirável intercâmbio entre Deus e a humanidade no mistério do Verbo encarnado. É um verdadeiro intercâmbio de amor entre Deus e a sua criatura na reciprocidade da doação total de si. ‘O espírito desta devoção... é tornar a alma interiormente dependente e escrava da Santíssima Virgem e de Jesus por meio dela’ (Segredo de Maria, 44). Paradoxalmente, este ‘vínculo de caridade’, esta ‘escravidão de amor’ torna o homem plenamente livre, com a verdadeira liberdade dos filhos de Deus (cf. Tratado sobre a verdadeira devoção, 169). Trata-se de se entregar totalmente a Jesus, respondendo ao Amor com que Ele nos amou primeiro. Qualquer pessoa que viver neste amor pode dizer como São Paulo: ‘Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim’ (Gl 2, 20)[3].

 

Anápolis, 6 de dezembro de 2021.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz



[1] “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem mal” (Is 5,20).

[2] Hubert van DIJK. O meu anjo e eu: sete degraus para caminhar com o Anjo da Guarda. Guaratinguetá: Mosteiro Belém, 2016, p. 57-58.

[3] Carta do Papa João Paulo II às Famílias Monfortinas sobre a doutrina do seu fundador, 8 dez. 2003. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/2004/documents/hf_jp-ii_let_20040113_famiglie-monfortane.html.

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